Encontro de capítulos Wikimedia de 2014

Entre 11 e 13 de abril de 2014 acontecerá em Berlim um encontro entre vários membros do movimento Wikimedia pelo mundo. Essa vai ser uma ótima chance de discutir pontos importantes para o movimento agora e e no futuro.

O evento se fundamenta sobre três assuntos originais:

1. Estrutura, organização e financiamento.

Como a natureza vem mostrando de forma bizarra: a estrutura segue a função. Então que funções nós queremos que o movimento Wikimedia desempenhe? Eu imagino o seguinte:

  1. Expandir o acesso a conhecimento aberto de qualidade para o maior número de pessoas.
  2. Arrecadar fundos de doadores para a manutenção do objetivo 1.
  3. Distribuir os fundos para projetos que contribuam para o objetivo 1.

Visto assim o movimento Wikimedia pode ser descrito como um mecanismo de [tentar] transformar dinheiro em conhecimento aberto de qualidade acessível a mais pessoas.

O objetivo 1 pode ser dividido em: produção e disseminação. Os projetos Wikimedia fazem os dois, mais ou menos bem. O objetivo 2 é feito pela Wikimedia Foundation, que centraliza as doações ao cuidar de vários aspectos envolvidos no processo. O objetivo 3 também é realizado pela WMF através de uma lista [um pouco confusa] de formas de financiamento.

Imagino esse fluxo de recursos com o menor número de intermediários possível.  Quanto maior o número de intermediários, mais dinheiro se perde ao longo do processo, é como na resistência elétrica. Mas é importante diferenciar intermediário de observador, esse último é qualquer pessoa interessada em saber como o dinheiro é gasto. Isso é fundamental porque todo doador é um observador em potencial, se eu estou financiando algo faz todo o sentido  saber como a coisa todo funciona ao menos em relação aos resultados.

Ao falar dos resultados, sou levado ao próximo ponto do evento.

2. Sucesso e impacto.

Eu gostei da pergunta feita no programa do encontro: como medir o sangue, suor e as lágrimas? Essa é uma analogia interessante para: paixão, trabalho e resultados, claro é um pouco ambíguo porque as lágrimas podem ser de alegria ou de tristeza. Talvez eu tenha entendido errado, mas a mensagem geral: como medir o esforço, o desempenho e os resultados, fica claro.

É uma situação curiosa, como uma fundação nos Estados Unidos vai avaliar atividades no interior do estado do Acre? Ou no sul na África do Sul? Ou em qualquer outro contexto pouco óbvio. Essa é uma pergunta para a WMF, mas também é válida em menor escala para quem realiza as atividades, porque algumas vezes é pouco óbvio se um programa ou projeto deve ou não ser continuado. Atividades diferentes tem escales de tempo diferentes, algumas produzem resultados agora enquanto outras vão demorar mais.

Essa pergunta me lembra a fofoca. Eu posso descrever fofoca como: todo rumor passado de pessoa para pessoa. Rumores podem causar problemas, mas também podem ser ótimos meios de se entender o que acontece em um contexto. Um rumor funciona [ou seja, torna-se popular] quando transmite alguma verdade ou mentira-bem-elaborada. Dessas duas opções, qual costuma acontecer com mais frequência? Eu suspeito que seja a primeira opção, de que fofoca [quando consegue se disseminar para um contexto 10 vezes maior do que aquele onde nasceu] tem grandes chances de ser verdade. Cada pessoa que ouve uma história imagina se aquilo está de acordo com o seu mapa da realidade, sim, algumas pessoas podem usar isso como pretexto para benefício próprio. Qual o grupo majoritário? Das pessoas que ouve a história e filtra [passando adiante ou não] ou daquelas que ouve e passa inadvertidamente [sem para pensar se é verdade ou não]?

Nesse caso, acho que a fofoca é uma ótima saída, com suas limitações é claro: sujeita ao ruído e todos os outros problemas da transmissão de informação. Mas é o princípio da democracia levada para outros usos. Fica o desafio, como podemos fofocar melhor sobre os projetos uns dos outros?

Avaliar atividades de forma clara significa agir dentro de contexto, fazer perguntas para o contexto onde existem respostas. Isso une um planejamento prévio capaz de se adaptar ao longo do processo, de novo vem a mente a fofoca. Quais os boatos em torno do processo? Como filtrá-los e usá-los como aprendizado.

Essa preocupação com avaliação tem fundamento, porque boas métricas [não necessariamente numéricas] representam uma visão condizente com a realidade atual e uma boa maneira de planejar o que virá [vulgo: futuro]. Será que crescemos?

3. Tópicos de crescimento.

O que significa crescer para quem já é grande? Significa continuar pensando, o contrário acontece quando as coisas vão muito bem por um longo tempo: as pessoas se acomodam. Literalmente isso, elas param de pensar. Essa realidade fica clara nesse gráfico do Silvio Meira. Se não consegue ler abra em outra aba e leia cada passo com cuidado.

Gráfico da vida profissional — mas também válido para a questão da solução de problemas. Criado por Silvio Meira:  Blog da Ikewai

Essa imagem é só um exemplo de como as coisas funcionam em nível individual, essa ideia pode facilmente ser estendida para uma empresa como um todo.

Eu gostei muito do modelo de discussão pré-conferência. Onde o programa está em desenvolvimento.

Programme review tem uma lista de coisas que o evento deve: começar a fazer, fazer mais e parar de fazer. As ideias são muito boas e estão sendo implementadas da estrutura geral. É um evento literalmente wiki, com a participação de várias pessoas interessadas.

Perguntas

Perguntas interessantes para pensar antes do evento:

  • Micro-grants. What’s working, what’s not, what support is needed to distribute more small local grants from organizations to individuals? Can we build a set of shared best practices?
  • Not about just presenting the programs and the process, but share experience about learnings: What works in grantmaking and what doesn’t. What do grantees want? How do we share and sync our programs? No need to reinvent the wheel here.
  • How do Affiliations come up with and implement their strategy successfully?